A Psicologia Preta

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Descubra a vertente voltada ao estudo e promoção de uma psicologia mais sensível a questões raciais 

 

A Psicologia é uma ciência que tem por objetivo promover o bem-estar, através da compressão e intervenção sobre os fenômenos psicológicos e emocionais. Assim, se faz necessário, que os profissionais de Psicologia estejam atentos às questões sociais e estruturais que podem estar envolvidas no sofrimento mental de seus pacientes/clientes, levando em consideração todo o contexto de vida de cada um deles. Saiba mais sobre o campo da psicologia que se dedica a compreender os efeitos da colonização na produção de conhecimento e os impactos do racismo na população negra.

 

Conhecida como Psicologia Preta ou como Black Psychology, essa vertente surgiu nos Estados Unidos na década de 1960 com o objetivo de desnudar os danos causados pelo racismo e intervir junto as demandas da população negra, levando em consideração o contexto e os desdobramentos resultantes das questões raciais e seu impacto na saúde mental.

Este campo de estudo tem crescido no Brasil e em outros países, com o objetivo de abordar as subjetividades negras e como elas podem ser cuidadas considerando toda a sua singularidade. A Psicologia Negra tem como objeto de estudo os efeitos do racismo na saúde mental da população negra e a promoção de discussões sobre esse fenômeno.

A Psicologia Preta destaca a importância do cuidado da saúde mental da população negra, levando em consideração todo o contexto sociocultural e racial. Assim como, a capacitação de profissionais para compreenderem as vivencias e as experiências desse público.

 

Autoestima

Como um dos desafios enfrentados pelo referido público, está a impossibilidade ou dificuldade de ter acesso a espaços e oportunidades, por não se adequarem a certo “padrão” de comportamento, aparência física, orientação sexual, de gênero, ou classe social.

Além dos referidos desafios, existem questões relacionadas à baixa autoestima decorrente, da falta de representatividade e dos padrões de beleza eurocêntricos. Esses padrões de beleza exercem influência na autoestima das pessoas negras. Pois considera como belo e desejável apenas características como pele branca, cabelo liso, nariz fino e lábios menores. Tais padrões são promovidos por gerações através de vários meios, como televisão, cinema redes sociais, escola, amigos e família.

Essas dinâmicas podem fazer com que pessoas negras sejam ensinadas, de forma direta ou indireta, a rejeitar seus traços e a buscar se aproximar desses padrões de beleza, através procedimentos mais invasivos como cirurgias plásticas ou menos invasivas, como alisamento dos cabelos. Perceber sua aparência como algo não belo, pode levar a uma diminuição da autoestima e a um afastamento de sua própria identidade.

 

A solidão da mulher negra

Apesar de ser um tema atualmente em destaque e uma pauta que tem levantado discussões nas redes sociais, plataformas de som e vídeo e em ambientes acadêmicos, a solidão afetiva de mulheres negras é um tema que remonta ao tempo da escravidão. Se trata um tópico complexo que aborda questões de raça, gênero e classe. O debate gira em torno da dificuldade que mulheres negras enfrentam para estabelecer e manter vínculos afetivos duradouros.

Uma das teses levantadas é que as mesmas sejam frequentemente rejeitadas para relacionamentos sérios por homens negros e brancos, como resultado de uma hipersexualização dos corpos negros, herdada do nosso processo de colonização. Isso pode levar a um sentimento de isolamento e a falta de reconhecimento de suas necessidades emocionais. Outro ponto levantado é referente à aceitação de relacionamentos não saudáveis.

Outro tipo de solidão enfrentada é na área social, como exemplo temos: ser a única negra na sala de aula, ser rejeitada por colegas por suas cor, ou não ter representantes nas grande mídias.

 

A formação de Psicólogos

Com relação aos profissionais de Psicologia, essa vertente traz à tona a discussão acerca dos reflexos das questões raciais enraizadas em nossa sociedade, na produção de conhecimento acadêmico e, portanto, na formação profissional.

A Resolução 018/2002, do Conselho Federal de Psicologia (CFP), determina que os profissionais da Psicologia devem atuar de acordo com os princípios éticos da profissão, contribuindo com seu conhecimento para refletir sobre o preconceito e para eliminar o racismo.

Para isso se faz necessário trabalhar pelo incentivo da aceitação da diversidade, utilizando-a como ferramenta de promoção à dignidade humana e por conseguinte, da qualidade de vida e saúde mental. Pois a falta de inclusão e de representatividade pode vir a gerar sofrimento mental à essa população.

A psicologia afrocentrada surge como uma forma de auxiliar profissionais negros a se firmarem profissionalmente e a desenvolverem trabalhos voltados para pacientes/clientes negros.

 

Os desafios enfrentados pela população negra podem afetar direta ou indiretamente a qualidade de vida e saúde dessa população, incluem desafios de acesso a oportunidades, baixa autoestima devido a imposição de padrões de beleza focada em traços europeus, questões como solidão afetiva, relacionamentos não saudáveis ​​e falta de representatividade na sociedade, destacam a complexidade do tema.

A Psicologia Preta levanta discussões sobre a formação de psicólogos e na prática profissional, convidando a termos um olhar sensível voltado para questões estruturais em nossa sociedade. Surgindo como uma ferramenta para apoiar profissionais negros a se estabelecerem e desenvolverem práticas na saúde mental, que considerem a vivência da população negra.

 

Concluindo, a Psicologia Preta representa uma maneira necessária de compreender os desafios enfrentados pela população negra em relação à saúde mental. Não apenas lança luz sobre as dores emocionais causadas por padrões discriminatórios, mas também propõe estratégias eficazes para a promoção do bem-estar dessa comunidade.

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