Dependência Emocional

5 min

ENVIAR

O que é dependência emocional e de que forma o Psicólogo atua nesses casos? Descubra.

 

Os relacionamentos amorosos são um tema constante em nosso cotidiano, nas telenovelas, mídias sociais, músicas, filmes e até naquela fofoquinha diária (pra edificar). Quando se trata do relacionamento do outro, corremos o risco de nos colocar em lugar de avaliadores críticos do que deveria ou não admitido ou desejado. Mas e quando esses relacionamentos se mostram abusivos ou até violentos. O que motiva alguém a manter-se nessas relações? No texto a seguir vamos compreender um dos aspectos frequentemente presentes em dinâmicas de relacionamentos abusivos, a dependência emocional. Confira.

 

A ideia de amor, frequentemente mostrada em filmes, poemas, músicas e séries, via de regra, permeiam o imaginário popular e envolvem interações avassaladoras entre indivíduos que podem apresentar como comum e até desejável comportamentos regidos por ciúmes, posse, inseguranças e projeção de expectativas problemáticas como a responsabilização do outro por seus bem-estar, saúde emocional, e hábitos, mas olhando para além da arte é preciso estar atento a até que ponto isso deve se enquadrar em relacionamentos reais.

Os contos de fadas possuem um papel importante na formação dos pequenos, pois conseguem apresentar situações complexar através do lúdico, levando a reflexão e aprendizado e podem servir de recursos para abordar diversos temas. Desde pequenos, ao assistirmos a contos de fadas podemos notar que em alguns é comum encontrarmos dinâmicas em que a mocinha indefesa e explorada, após uma série de acontecimentos, é salva pelo príncipe e os dois vivem felizes para sempre.

Fazendo um paralelo entre os contos de fada e os relacionamentos amorosos, esperar ou acreditar que precisa ser salvo pelo outro pode ser problemático. Pois ao colocar na conta do outro a responsabilidade por “salvar” sua vida, eximindo-se da responsabilidade de cuidar de si pode formar vínculos adoecidos.

Podemos entender a dependência emocional como um transtorno caracterizado por comportamentos excessivos em relacionamentos amorosos, em que o indivíduo necessita do outro para manter seu equilíbrio emocional. Assim, na ausência do parceiro(a), o indivíduo pode apresentar sintomas como insônia, ansiedade e aumento da frequência cardíaca, além disso também pode apresentar ciúme excessivo, tristeza, raiva, medo constante da solidão ou rejeição.

A dependência emocional, pode ser sintoma de algo mais profundo e comprometer todo o padrão de relacionamentos de uma pessoa, quando este faz parte do Transtorno da Personalidade Dependente (DSM-V). Nesses casos o tratamento psicoterápico se mostra uma importante ferramenta para o resgate da autoestima e autonomia.

 

A Teoria do Apego

A Teoria do Apego, abordagem desenvolvida por John Bowlby, pode nos ajudar a compreender a dependência emocional através da identificação dos padrões de esquemas desenvolvidos durante nossa formação, na infância, através dos relacionamentos significativas com figuras de referência (pai, mãe ou outros cuidadores), as quais servem de referência para os demais relacionamentos desenvolvidos ao longo da vida.

Segundo a Teoria do Apego, existe uma ligação afetiva entre a criança e suas figuras de apego, que comumente é quem a protege e cuida, esse forte vínculo se desenvolve devido à sua necessidade inata de segurança, indispensável para sua sobrevivência.  Esta figura de apego, por sua vez, influência tem o poder de influenciar o crescimento físico, social e emocional dessa criança.

Os diferentes tipos de apegos presentes nessa teoria podem ser divididos em:

  1. Apego Seguro: Crianças que desenvolvem esse tipo de apego tendem a se sentirem confortáveis para explorar o ambiente à volta na presença de seus cuidadores e os procurar quando estão angustiadas, em busca conforto.
  2. Apego Inseguro Ambivalente: Aquelas com apego inseguro ambivalente tendem a mostrar uma dependência considerável de suas figuras de apego, ficando extremamente angustiadas quando afastada destes, também podem rejeitar o contato com eles após a retomarem o contato.
  3. Apego Inseguro Evitativo: Essas crianças tendem a evitar ou ignorar seus cuidadores, não procuram muito conforto ou contato com eles e não demonstram muita emoção quando os cuidadores saem ou retornam.
  4. Apego Inseguro Desorganizado: Crianças com esse tipo de apego mostram uma mistura de comportamentos evitativos e resistentes, podendo parecer desorientadas ou confusas.

 

Em situações em que o esquema de apego do indivíduo não é seguro, pode haver problemas relacionais futuros como a dependência emocional. A pessoa com esse padrão de relacionamento com o outro pode se tornar excessivamente dependente de seu parceiro amoroso para sentir-se seguro e obter conforto emocional, assim como estabeleceu sua maneira de se relacionar com seus cuidadores na infância, apresentando comportamentos semelhantes a uma criança que depende de seus cuidadores.

 

O Trabalho do Psicólogo

O profissional de psicologia atua junto a pacientes/clientes com dependência emocional facilitando a identificação e compreensão da natureza de seu quadro, seus padrões de crenças limitantes e comportamento, como e quando o mesmo permite que outros afetem seus sentimentos e emoções, e em que momento passa a depender destes para sentir-se realizado e capaz. A psicoterapia pode ajudar a identificar as origens desse padrão, a trabalhar crenças limitantes e formas de construir relações mais saudáveis consigo mesmo(a) e com os outros.

Um outro ponto importante a ser trabalhado pelo psicólogo com o cliente é a autoestima, para que assim se torne possível o desenvolvimento de uma visão positiva de si mesmo, nesse sentido podem ser ferramentas úteis o cultivo de hobbies e interesses realizados de forma individual, assim construindo estratégias para o fortalecimento da autoestima e autoconfiança.

O profissional também deve auxiliar o cliente a lidar com suas emoções e a lidar com sentimentos de ansiedade, medo e insegurança que podem estar associados à dependência emocional.

 

Em resumo, o objetivo da psicoterapia com esse público é facilitar o indivíduo no processo adquirir ou readquirir autonomia, encorajando-o a assumir a responsabilidade por sua vida, cuidado e bem-estar. Fornecendo ferramentas para que o mesmo se sinta seguro para cultivar o que podemos chamar de amor-próprio, através do autocuidado, e construção de uma independência saudável e assim, tornando possível o cultivo de relacionamentos afetivos maduros e que tragam bem-estar emocional.

A tarefa de reaprender a se relacionar consigo e com o outro nem sempre é fácil, mas é indispensável para a construção de relacionamentos saudáveis onde se vincular ao outro não significa se desvincular de si e onde a companhia seja uma opção e não uma necessidade.

0 0 votos
Article Rating
Inscrever-se
Receber notificações
guest
0 Comments
Ver todos comentários

SOBRE NÓS

Se você é psicólogo ou estudante de psicologia, trazemos boas novas: A Serpsi foi feita pra você! Somos uma plataforma de streaming criada pra você dar um play na sua carreira, são + de 40 cursos com certificado incluso, conteúdo exclusivo e atualizado semanalmente.

CATEGORIAS

siga a ser psi

Ser Psicólogo LTDA – 37.851.500/0001-47
Todos os direitos reservados.