O Acolhimento Psicológico nas Delegacias da Mulher

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Descubra como o trabalho do Psicólogo é fundamental em casos de violência contra mulheres 

 

A violência contra a mulher é um fenômeno complexo que envolve aspectos sociais, políticos, econômicos e históricos e que se refletem nas vivências familiares e individuais. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o Brasil registrou 722 feminicídios no 1° semestre de 2023. Esse texto aborda como a violência contra a mulher afeta, não apenas o corpo, mas também a saúde mental das vítimas e o papel do psicólogo no acolhimento delas.

 

Nas delegacias da mulher, o acolhimento psicológico surge como um elemento importante no acolhimento das vítimas, que frequentemente chegam ao local extremante fragilizadas, após vivenciarem toda uma sequencia repetitiva de abusos, que podem envolver diversos tipos de violência. Ao contrário do que se pode imaginar, na grande maioria dos casos, um relacionamento abusivo não se inicia na agressão e não se limita a esses momentos. Ao contrário, na convivência os limites vão sendo invadidos aos poucos e em um ciclo que envolve:

Aumento da tensão

O agressor se mostra irritado com coisas pequenas, chegando a ter acessos de raiva, humilhar a vítima, ameaçar ou destruir objetos. A vítima pode se sentir confusa sobre os motivos da irritação e chegar a se culpar ou tentar contornar de alguma forma.

Ato de violência

Aqui chega o ápice da violência, o agressor externaliza a tensão da primeira fase em agressão verbal, física, psicológica, moral ou patrimonial. Nesse momento a vítima pode sentir-se paralisada, incapaz de reagir. Nessa fase a vítima se encontra psicologicamente fragilizada, sente medo, raiva, vergonha, solidão, autocompaixão, confusão e dor física e/ou emocional. A vítima pode reagir fugindo, pedindo a separação, pedindo ajuda ou chegar a suicidar-se.

Arrependimento

Período em que o abusador se arrepende e promete mudar, demostra remorso e se comporta de forma carinhosa. A vítima, por sua vez, experimenta sentimentos de medo confusão, culpa e ilusão, mas é convencida de que o ocorrido foi apenas um momento ruim e que não irá se repetir. Como fatores envolvidos na volta com o agressor estão a dependência emocional, financeira, questões sociais e religiosas, e pela presença de filhos em comum. O agressor demonstra até certa mudança por um período até que o ciclo recomece.

Em muitos casos as mulheres não se dão conta de que estão em um relacionamento abusivo até que ele chegue à violência física, ou até passarem pelo ciclo de violência repetidas vezes.

 

As Delegacias da Mulher:

As delegacias especializadas foram criadas com o objetivo e ser um ambiente acolhedor e seguro, para vítimas de violência pudessem acessar seus direitos. Pois nas delegacias comuns não era incomum que casos de violência não fossem reconhecidos como tal, tendo seus relatos amenizados e sendo considerados como desentendimentos familiares, em alguns casos chegando a ter o registro de sua denúncia negado.

As delegacias realizam ações de prevenção e investigação de casos de violência contra a mulher. O trabalho das delegacias da mulher não se limita a casos de violência no âmbito conjugal, sendo são peças fundamentais na luta contra a violência de gênero em diversos contextos.

O órgão atua em casos de agressões de cunho físico, psicológico ou sexual. No local a vítima presta depoimento, realiza exame de Corpo de Delito e assim é aberto um Boletim de Ocorrência. O trabalho tem por finalidade punir o agressor juridicamente e, em alguns casos, fornecer medida protetiva à vítima e assim resguardar sua segurança.

 

Violência de Gênero:

A violência de gênero pode ser definida como qualquer ato de violência direcionada a uma mulher pelo fato de ser uma mulher. Podendo ocorrer em diversos espaços como, no trabalho, casa ou espaço público, incluindo as redes sociais. Como dito anteriormente, a violência de gênero não se limita às agressões físicas, afetando também as dimensões psicológica, emocional e social.

Esse fenômeno tem suas raízes em estruturas sociais de desigualdade entre homens e mulheres e estereótipos de gênero, que consideram a mulher como inferior ao homem. Entre os atos de violência de gênero estão, a violência física, psicológica, sexual, econômica, social, obstétrica, entre outras.

 

O profissional de Psicologia:

Frequentemente as mulheres que chegam às delegacias não apenas buscam proteção legal, mas também acolhimento e apoio psicológico para lidar com o trauma e reconstruir suas vidas. Nesse sentido, o papel do profissional de Psicologia é oferecer validação e empatia às experiências das vítimas, acolhendo a dor emocional e psicológica que acompanha a violência de gênero. Promover resiliência, facilitando o processo de superação do trauma e o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento adaptativas. Prevenção de transtornos mentais, através de Intervenções precoces que visam prevenir os danos psicológicos decorrentes da violência, como ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Empoderamento e promoção da autonomia emocional e psicológica, essencial para o rompimento dos ciclos de violência.

Para isso, o profissional de Psicologia deve receber treinamento adequado para lidar com casos de violência de gênero. Trabalhar mediante a colaboração os entre setores jurídico, psicológico e de assistencial social, visando proporcionar uma atenção integrada e eficaz. E assim, garantir que todas as mulheres, independentemente de sua raça, credo e origem socioeconômica, tenham acesso ao suporte psicológico nas delegacias da mulher.

 

O acolhimento psicológico nas delegacias da mulher não apenas acolhe e reconhece a complexidade das experiências das vítimas, mas também desempenha um papel importante ao considerar a importância da saúde mental, durante o delicado processo de libertação de um relacionamento abusivo. O apoio psicológico adequado, além de prevenir possíveis adoecimentos emocionais decorrentes da violência sofrida, tem um papel crucial para que essas vítimas não retornem ao ciclo de abuso. A integração efetiva de serviços psicológicos nas delegacias é um passo essencial para criar um ambiente onde seja possível que cada mulher se sinta realmente ouvida e acolhida.

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