Faz relativamente pouco tempo que o planejamento de carreira se tornou uma preocupação relevante quando o assunto é Psicologia. Por décadas, esse foi um tema praticamente ausente das próprias graduações na área. Como consequência, uma das coisas mais comuns nesse campo era ouvirmos que, durante a graduação, o estudante aprende as teorias, mas somente com sua inserção no mercado de trabalho aprende, de fato, a ser psicólogo.
Esse cenário tem mudado. Muitas grades curriculares passaram a contemplar o planejamento de carreira, o que pode conferir mais segurança aos recém-formados no momento de sua inserção no mercado de trabalho. Considerando a importância desse tema, gostaríamos de apresentar, de forma resumida, alguns dos pontos centrais envolvidos na construção de um planejamento de carreira na Psicologia.
A ideia central que nos guia é a de que é perfeitamente possível ir tornando-se psicólogo já durante a formação universitária. Mas como isso pode ser possível?
E a primeira questão é: quando começar a construir esse planejamento?
Ao escolher ingressar em uma graduação em Psicologia, o indivíduo já inicia um movimento que poderá redirecionar profundamente sua vida. Dessa forma, não é necessário esperar avançar nas disciplinas para, somente depois, começar a planejar o futuro profissional. O ideal é que, desde o primeiro semestre, concomitantemente à sua formação científica, o estudante esteja atento às tendências mais promissoras da área e inicie seu planejamento profissional.
A tomada de decisões é um elemento fundamental quando se trata de planejar uma carreira. Contudo, entendemos que nem sempre a pessoa possui maturidade suficiente para tomar decisões assertivas em relação a algo tão importante. Portanto, um passo fundamental nesse processo consiste na possibilidade de inserir-se no mercado de trabalho ainda durante a graduação, por meio de experiências como os estágios extracurriculares.
A maioria das instituições acolhe estudantes já nos primeiros períodos quando se trata da realização de estágios extracurriculares. O contato precoce com uma área da Psicologia constitui uma importante experiência de amadurecimento e pode ser decisivo para futuras tomadas de decisão. Isso não significa que tal contato deva levar a pessoa a fazer escolhas precoces ou definitivas. Contudo, trata-se de um dos melhores investimentos para quem deseja amadurecer sua compreensão acerca de determinado campo teórico e profissional.
Além disso, o planejamento de carreira também deve ser nutrido pela participação regular do estudante em eventos científicos de sua área. Atualmente, há grande facilidade nesse sentido, pois, além do elevado número de eventos científicos presenciais, realizam-se todos os anos inúmeros eventos online contemplando praticamente todas as correntes teóricas da Psicologia.
A participação regular nesses eventos também contribui para o planejamento de carreira, na medida em que complementa os debates realizados durante a graduação. Os eventos científicos constituem uma oportunidade de colocar os estudantes em contato com as principais atualizações em cada abordagem ou campo de atuação, o que representa um importante balizador para qualquer tomada de decisão relacionada ao futuro profissional.
Duas outras perguntas fundamentais a serem respondidas durante a construção de um planejamento de carreira em Psicologia dizem respeito: (1) à adesão a uma abordagem teórica e (2) ao campo de trabalho no qual se deseja atuar.
É importante destacar que a escolha de uma abordagem teórica possui um peso relevante nesse processo, porque as teorias constituem o aporte por meio do qual o psicólogo analisa e interpreta os fenômenos relacionados ao seu trabalho. As teorias científicas são conjuntos de proposições que nos permitem apreender os fenômenos com maior profundidade, proporcionando uma compreensão que se diferencia daquela oferecida pelo senso comum.
Sem elas, o profissional de Psicologia corre o risco de apenas repetir jargões populares travestidos de ciência.

Na Psicologia, como sabemos, há uma enorme diversidade de abordagens teóricas. E, quando pensamos nessa diversidade à luz da construção de uma futura carreira profissional, existem duas possibilidades principais.
Se a pessoa chega à graduação já possuindo uma bagagem consolidada de estudos nesse campo, pode se dar ao luxo de concentrar sua atenção na abordagem com a qual já se sente identificada. Contudo, essa não é a realidade da maioria dos jovens que ingressam em uma graduação em Psicologia. Para esses estudantes, recomenda-se um mergulho meticuloso nas diferentes teorias com as quais tiverem a oportunidade de entrar em contato.
A escolha por uma delas – ou pela integração entre algumas delas! – deve ser pautada pelo convencimento teórico (critério racional), pela proximidade com as características intelectuais da pessoa (critério biográfico) e pela relevância que determinada teoria possa ter em relação às suas questões emocionais (critério emocional).
Escolher previamente uma área de atuação também é uma tarefa imprescindível no planejamento de carreira em Psicologia.
Do mesmo modo como acontece com as abordagens teóricas, essa ciência e profissão oportunizam a atuação em frentes laborais muito diversas, que incluem a clínica individual voltada a diferentes faixas etárias, as políticas públicas e suas especialidades, o mundo do trabalho e das organizações, a pesquisa, a docência, entre muitas outras possibilidades.
Obviamente, durante o processo de planejamento de carreira, essa escolha deve ser acompanhada do devido conhecimento acerca do respectivo campo e, sempre que possível, da inserção nele, como apontamos anteriormente ao sugerir a realização de estágios extracurriculares.
Na maioria das situações, os componentes curriculares da graduação são insuficientes para fornecer aos estudantes todos os conhecimentos necessários sobre determinados campos de atuação, o que os coloca diante do desafio de suprir essas lacunas por meio de cursos e formações complementares.
A depender do campo de trabalho escolhido pelo futuro psicólogo, também vale a pena definir, em seu planejamento profissional, qual será seu público-alvo prioritário.
Essa construção de um nicho pode obedecer a critérios etários (p. ex.: infância, adolescência, adultos ou idosos), a critérios temáticos (p. ex.: autismo, dependência química, casais, transtornos de humor) ou a uma combinação de ambos (p. ex.: autismo infantil, adultos com transtornos de ansiedade, idosos com doenças neurodegenerativas).
É importante ressaltar que as especializações são muito valorizadas atualmente em praticamente todos os campos de trabalho, e os profissionais que se dedicam a elas costumam angariar determinadas vantagens profissionais em relação àqueles tradicionalmente chamados de “generalistas”.
Uma questão que sempre surge quando o assunto é planejamento de carreira em Psicologia é a seguinte: vale a pena investir em marketing digital?
Para alguém que está em fase de consolidação de sua identidade profissional e em processo de tornar-se referência em sua área de atuação, o marketing digital pode representar uma alternativa interessante. As plataformas digitais – redes sociais, sites de anúncios, sites pessoais, entre outras – constituem hoje uma vitrine praticamente onipresente e fazem parte do cotidiano da maioria das pessoas. Portanto, utilizar estratégias ou serviços profissionais de marketing digital pode ser uma alternativa importante para a consolidação profissional.
É sempre importante ressaltar, contudo, que o afã de se posicionar no mundo digital, tão disseminado atualmente, não pode servir de pretexto para infrações éticas nem para a banalização de qualquer profissão. O marketing digital deve constituir uma extensão de um trabalho sério, alinhado aos princípios fundamentais defendidos pela categoria, comprometido com o rigor das práticas científicas e com o respeito às pessoas.
Apesar da importância do planejamento de carreira em Psicologia, vale concluir destacando que ele também deve contemplar os imprevistos e reservar espaço para eventuais mudanças de rota. É comum que a vida profissional apresente limites, desafios e dificuldades capazes de desanimar a pessoa e, em determinadas circunstâncias, levá-la ao abandono ou à mudança de um campo de atuação profissional.
Portanto, nenhum planejamento de carreira deve ser encarado como um destino rígido e inescapável. Consideramos fundamental que, juntamente com todos os investimentos que resumimos acima, a pessoa esteja preparada para eventuais mudanças de foco e para a inserção em campos que não haviam sido previstos anteriormente. Afinal, não são raras as vezes em que somos conduzidos a isso pelas circunstâncias.
Aqui, vale recordarmos a sabedoria de Viktor Frankl e seu trabalho com a Logoterapia.
De acordo com essa perspectiva, não devemos apenas perguntar pelo sentido da vida, mas também nos perguntar o que a vida espera de nós em cada fase de nossa existência. E, independentemente do que a vida espere de nós em cada momento, precisamos estar preparados e motivados para entregar sempre o nosso melhor.
***
A Ser Psicólogo é uma plataforma de cursos na área da Psicologia, pensada para ajudar você, entre outras coisas, a planejar melhor sua carreira profissional. Nela, você encontrará um portfólio de cursos que podem auxiliá-lo nesse processo, ajudando-o a economizar tempo na construção de uma formação complementar sólida e consistente.
Nesse portfólio, destaca-se o curso Psi no Digital, ministrado pelo diretor de marketing da Ser Psicólogo, Max Mendes. Nele, você terá acesso a técnicas e conteúdos exclusivos que poderão ajudá-lo a compreender melhor o mundo digital e a construir uma presença profissional sólida, independentemente do estágio de sua carreira em que você se encontre.
Com novos cursos todos os meses, a Ser Psicólogo pode ser o que faltava para complementar o planejamento ou o redimensionamento de sua carreira.
Acesse o nosso site e conheça os nossos cursos agora mesmo!
Para aprofundamento
Porque a formação continuada é decisiva para a carreira de psicóloga
Autoeficácia e personalidade no planejamento de carreira de universitários
